Patrimônio Natural da Humanidade: por que o Pantanal conquistou o título?

Você sabia que no Brasil existem apenas sete lugares que são considerados pela Unesco —Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura — como Patrimônio Natural da Humanidade? O Pantanal faz parte desse seleto grupo.

O menor dos biomas brasileiros tem muito a oferecer e o selo da Unesco vem justamente reconhecer sua beleza e biodiversidade, além de evidenciar sua importância ambiental e também a necessidade de preservação.

Para descobrir os motivos que levaram o Pantanal ao título de Patrimônio Natural da Humanidade, continue a leitura do texto e desvende as belezas desse incrível território.

Características gerais

Com cerca de 250 mil km² de extensão, o que equivale a quase 2% do território nacional, o Pantanal é um bioma brasileiro localizado nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta, ocupando também parte dos territórios da Bolívia e do Paraguai, onde recebe o nome de Chaco.

Localizado em uma área de transição, sofre influência direta de outros três biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica, e isso é refletido tanto em suas paisagens quanto no grande número de espécies que habitam a região.

O clima Tropical Continental afeta diretamente a dinâmica ecológica do local. Quente o ano todo, o Pantanal tem temperatura média anual de 24ºC, sendo as chuvas concentradas no verão e a estiagem no inverno.

As duas estações bem definidas trazem para a paisagem pantaneira características únicas. Em épocas de intensas chuvas, o ambiente fica praticamente intransitável por terra com o transbordamento do rio Paraguai. As inundações atingem as regiões mais baixas e contribuem para o processo de sedimentação e fertilização do solo, que com a chegada do inverno, fica seco e poroso.

A economia da região é fortemente marcada pela pecuária, atividade favorecida pelo relevo plano e pastos naturais do local.  Outras atividades que têm crescido são a pesca e o ecoturismo, principais responsáveis por trazer visitantes ao Pantanal.

Biodiversidade

A imensa e diversificada gama de biodiversidade que o Pantanal possui é, sem dúvida, o que mais chama a atenção para essa região e consolida seu título como Patrimônio Natural da Humanidade.

Sua vegetação varia de acordo com seu relevo e também é influenciada pelo fenômeno ecológico de inundação sazonal. A dinâmica de mudança entre as épocas de cheias e estiagem provoca uma contínua mudança do habitat aquático para terrestre, e vice-versa.

Nas regiões mais baixas, que sofrem alagamento, temos o predomínio das gramíneas e plantas aquáticas. Já as regiões intermediárias são marcadas pelos arbustos e os planaltos — áreas que não sofrem com as enchentes — apresentam diversas espécies de árvores de médio e pequeno porte.

Fazem parte desse rico bioma brasileiro um grande número de espécies. Já foram identificados pelo menos 3,5 mil tipos de plantas, 325 peixes, 53 anfíbios, 98 répteis, 656 aves e 159 mamíferos.  Entre as riquezas de sua fauna, podemos destacar:

  • aves: arara-azul, tucanos e o tuiuiú;
  • mamíferos: capivaras, ariranhas, tamanduá, onça-pintada, lobo-guará, macaco-prego, tatu, cervo-do-Pantanal;
  • peixes: piranha, pacu, pintado, jaú e dourado;
  • répteis: jacarés, lagartos, cobras e jabutis.

Preservação

Além de reconhecer a beleza exuberante e natural do Pantanal, o título de Patrimônio Natural da Humanidade também chama a atenção para a necessidade de sua preservação. Apesar de ser reconhecido como Patrimônio Nacional pela Constituição Federal, ainda falta no Brasil uma legislação específica que proteja a região.

As principais ameaças enfrentadas pelo bioma são o desmatamento; a pesca ilegal, a substituição da agricultura de subsistência por grandes produções agrícolas mecanizadas e a pecuária.

As áreas de proteção ainda são reduzidas e não ultrapassam 5% do território, sendo que desse número apenas 2,9% correspondem a unidades de proteção integral e 1,7% de uso sustentável.

Conheça cinco importantes áreas de conservação que contribuem efetivamente para a proteção e manutenção desse importante Patrimônio Natural da Humanidade.

  • Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (MT): criado em 1981, foi a primeira unidade de conservação instituída com o objetivo de preservar o bioma. Possui 135 mil hectares de extensão;
  • Parque Estadual Encontro das Águas (MT): localizado entre o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul, foi criado em 2004 e tem quase 109 mil hectares;
  • Reserva Particular do Patrimônio Natural Sesc Pantanal (MT): criada em 1997, é a maior reserva particular do país e ocupa aproximadamente 108 mil hectares;
  • Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro (MS): foi criado em 2000 e possui 78 mil hectares de extensão;
  • Parque Estadual do Guirá (MT): localizado na fronteira da Bolívia, o parque foi criado em 2002 e tem aproximadamente 100 mil hectares de extensão.

Turismo

Visitar o Pantanal, além de promover a experiência única de estar em um Patrimônio Natural da Humanidade, também pode contribuir para sua preservação. Isso porque o ecoturismo tem crescido muito na região e se destaca como uma atividade econômica capaz de preservar o local e, ao mesmo tempo, complementar a renda de seus habitantes.

Para aqueles que amam a natureza, que querem descansar, ou passar um tempo inesquecível com a família, a região oferece inúmeras atrações, capazes de agradar desde os mais aventureiros até aqueles que preferem passeios mais tranquilos.

Selecionamos algumas atrações imperdíveis. Confira!

Safári

Para conhecer a vida animal nada melhor do que um safári, no qual é possível observar diferentes mamíferos, répteis e aves. Se for um dia de sorte, quem sabe até se deparar com uma onça pintada.

Conduzidos por um guia e motorista, o passeio é uma experiência única de contato com a natureza e também aprendizado. Usando carros específicos para observação dos animais, o safári permite desbravar a flora local, já que sai das trilhas convencionais, levando o visitante a lugares pouco acessíveis.

Focagem noturna

Variação do safári, a focagem noturna é uma das atividades mais populares no Pantanal. Realizada de carro ou de barco, permite que o visitante observe animais de hábitos noturnos, como jacarés, lobos, corujas, capivaras e até a onça pintada, além de desfrutar do belo céu estrelado do local.

O período de seca — entre abril e setembro — é a melhor época para conhecer os animais pantaneiros.

Passeio de barco

Disponível o ano todo, o passeio de barco é muito comum na época de cheia, ou seja, de janeiro a junho. É a melhor opção para quem quer entrar em contato com os peixes e animais aquáticos da região.

E não faltam opções de embarcações, que vão desde canoas e chalanas até barcos luxuosos. Uma ótima escolha são os passeios mais tradicionais com barqueiros nativos da região, que conhecem os hábitos dos animais locais.

Também é possível se aventurar em passeios mais radicais explorando os rios e corredeiras ou então fazer a observação noturna de crocodilos e jacarés.

Ser Patrimônio Natural da Humanidade significa ter um valor universal excepcional. O Pantanal atende a todos os critérios da Unesco, sendo reconhecido não apenas por sua beleza natural, como também pela necessidade de conservação e valor científico.

Lugar de inúmeras belezas e de uma diversidade sem igual, esse Patrimônio Natural da Humanidade garante a qualquer visitante uma experiência de encontro com a natureza única. Venha conhecer o Pantanal!

Mas calma, antes de fechar as malas, leia nosso próximo post e descubra outros motivos que vão tornar o Mato Grosso seu próximo destino.

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